A forma ideal de começar este processo será o mais cedo possível. Ou seja, quando o cão é ainda cachorro para ser um processo mais simples. A habituação à jaula será um processo prolongado mas não tem que ser aborrecido! Servirá para criar laços com o seu companheiro e passar mais tempo com ele.

Comece por comprar uma jaula grande o suficiente para que ele tenha espaço para se deitar, sentar e até brincar. No entanto, se o seu patudo em adulto for um cão de porte grande ou gigante e tiver pouco espaço poderá optar por uma transportadora, o processo é igual.

Inicialmente, deixe-o entrar e sair da jaula conforme a vontade do seu patudo. Pode incentivá-lo a entrar espalhando comida no chão. Se ele se deitar dentro da jaula por vontade própria, reforce!

Em seguida habitue-o a entrar e sair com reforço (comida ou brinquedo), várias vezes. Reforce quando entra e sai da jaula conduzido por si  (com a comida na mão, conduza-o para entrar e sair da jaula), dizendo “ninho”, “sai” (ou as palavras escolhidas por si). Numa fase mais avançada, reforce-o após obedecer ao seu sinal de sair ou entrar, e repita-o inúmeras vezes de forma a que fique bem apreendido.

Depois é fundamental que o ensine a ficar dentro da jaula/ transportadora durante uns minutos para que se comece a habituar a ficar sozinho. Faça-o entrar, reforce, feche a porta, reforce e afaste-se uns metros ou vá para outra divisão da casa durante um minuto. Se o seu companheiro estiver calmo, abra a porta e reforce-o! Da próxima vez, aumente o tempo de ausência. Caso fique agitado, na próxima tentativa de fechar a porta, fique junto à jaula e vá reforçando da zona de fora. E tente novamente. Não há problema nenhum em ter que recuar no processo de aprendizagem do seu patudo para que possa chegar ao resultado pretendido!

Durante a noite o processo deverá ser o mesmo, no entanto será por um período de tempo bem mais longo. Assim, experimente deixar um brinquedo para que se entretenha durante a noite (escolha um que seja indicado para quando está sozinho e que não o deixe demasiado excitado).

Todo este processo varia muito de cão para cão, pois cada um tem a sua personalidade e a sua forma de aprender. Não desista caso não consiga à primeira. Com tempo e paciência irá conseguir.

Sofia Galiza

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Published by Sofia Galiza

Experiência Mestrado Integrado em Medicina Veterinária na UTAD - Universidade de Trás-os Montes e Alto Douro, concluído em 2017. Estagiou em Madrid, Londres e em Portugal onde se debruçou principalmente nas áreas de Cirurgia, Medicina Interna, Oncologia e Ecografia. Desde de 2017 a trabalhar em clínica de animais de companhia com especial interesse nas áreas de Oncologia, Medicina Interna e Comportamento Animal. A minha relação com os cães Os cães tiveram uma grande influência na decisão de ser médica veterinária. Sempre me fascinou o amor incondicional que têm pelo dono sem pedir nada em troca e da forma como parecem compreender tudo sem que seja preciso explicar o que for. Cá em casa tenho o Trengo, que veio homenagear a memória do seu homónimo, e que nos enche de alegria cada vez que entramos em casa :)

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