Em que consiste a displasia do cotovelo e porque surge?

É uma doença hereditária (transmitida à ninhada), cuja expressão depende de fatores ambientais (crescimento, metabolismo, hábitos alimentares). Geralmente surge em cães jovens de raça grande a gigante, não havendo predisposição sexual.

O cotovelo corresponde à articulação do rádio, cúbito e úmero. Quando há uma conformação anormal da articulação podemos estar perante uma displasia do cotovelo, que engloba 4 diferentes alterações (sendo que nem todas estão presentes num animal com displasia do cotovelo):

  • Não união do processo ancóneo;
  • Fragmentação do processo coronoide;
  • Osteocondrite dissecante;
  • Incongruência articular.

Quais as raças predispostas?

Como suspeitar de displasia do cotovelo?

A displasia do cotovelo é uma das principais causas de claudicação do membro anterior em cães jovens, causando dor e desconforto durante a marcha. Pela dor que sentem, muitos cães passam o dia deitados. A sintomatologia pode surgir a partir dos 5-6 meses de idade.

Em cães com displasia do cotovelo a qualidade de vida pode ser afetada. Podem ser notadas as seguintes alterações:

  • Claudicação de um ou de ambos os membros anteriores, ou seja, o cão “manca” do membro afetado;
  • Dor à manipulação da articulação do cotovelo;
  • Relutância ao movimento;
  • Claudicação mais acentuada após longos períodos de descanso.

Como é realizado o diagnóstico?

Através da realização de radiografias, sob sedação. Pode ser necessária a realização de uma TAC (tomografia axial computorizada) ou de RM (ressonância magnética).

O despiste da displasia do cotovelo deve ser realizado, tal como é feito o despiste de displasia da anca?

Apesar dos despistes de displasia do cotovelo não serem tão comuns como os despistes de displasia da anca, é importante que sejam feitos em cães de raça grande (principalmente em raças predispostas). O diagnóstico precoce é muito importante, para que possa ser instituído tratamento o mais cedo possível. Diagnósticos tardios, com artrose já instalada, têm um prognóstico pior.

Em que consiste o tratamento?

O tratamento pode ser cirúrgico ou médico/conservativo.

O tratamento cirúrgico pode ser aconselhado em alguns casos, dependendo do tipo e do grau de displasia (do 0 ao 3), bem como do momento do diagnóstico. Em alguns casos o tratamento cirúrgico pode ser curativo.

O tratamento médico está recomendado em casos menos graves e em casos em que a cirurgia não é opção. O tratamento médico passa pela administração de medicação anti-inflamatória e analgésica, fisioterapia/hidroterapia e administração de condroprotetores (glucosamina e condroitina).

O controlo de peso é essencial em ambos os casos.

Como prevenir o aparecimento?

Ninhadas de cães com displasia do cotovelo estão predispostas ao desenvolvimento da patologia. Como tal, convém evitar o cruzamento de cães com a patologia. Embora seja uma doença de caráter hereditário, a manifestação da doença vai depender das variáveis ambientais, nomeadamente durante o crescimento. A alimentação deve ter uma suplementação equilibrada de fósforo e cálcio, ser equilibrada nutricionalmente e promover o peso ideal e o crescimento gradual do cachorro.

Daniela Leal

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Published by Daniela Leal

# Experiência Mestrado Integrado em Medicina Veterinária pelo ICBAS, U.Porto. Realizou estágios em Portugal, Espanha e no Reino Unido e conta com 3 anos de experiência em Clínica de Animais de Companhia. A Nutrição Clínica e a Oftalmologia são áreas clínicas de especial interesse. # A minha relação com os cães Nos últimos 8 anos vi cães diferentes todos os dias – fascina-me a forma como encaram a vida com felicidade, proporcionando sentimentos positivos a quem os rodeia. Lá em casa a Kia, com 5 anos, é atualmente o membro mais novo da família :) Adoramos ir juntas passear à praia!

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