A relação entre crianças e animais tem vários benefícios. Neste artigo descubra o que fazer para promover um bom começo.

Quer seja um animal bebé ou já mais velho e qualquer que seja a idade da criança, queremos que ambos tenham uma boa relação. Há casos de “amor à primeira vista”. Mas se queremos que sejam “os melhores amigos”, há coisas que devemos assegurar quando os juntamos.

Antes de tudo, devemos conhecê-los (criança e animal), para promover um bom primeiro encontro.

Criança

A idade da criança é importante. Para os nossos cães e gatos, os bebés são “algo” diferente de uma criança a gatinhar. E uma criança a gatinhar é bem diferente de outra a correr.

A criança já teve convivência com outros animais? É importante explicar (adaptando a cada caso) que os animais não são brinquedos. Há coisas que não se devem/podem fazer, como abraçar, puxar pelo/orelhas/cauda/bigodes, etc.). E reforçar que cada animal é único! O que uns gostam, outros podem não tolerar.

Animal

Da mesma forma, sabemos se o animal já teve contacto com crianças? Essa experiência foi positiva? Qual o seu temperamento? Reage bem a situações “inesperadas”?

Sabemos se está corretamente vacinado e desparasitado (interna e externamente)?

Devemos conhecer o animal, a sua linguagem corporal e, principalmente, os sinais de “alarme” que nos indicam que algo não está bem.

E como sabemos, o futuro são as crianças. Ensine a sua a “ler” o cão com o projecto blue dog.

Como apresentar crianças e animais?

Só há uma oportunidade para causar uma boa primeira impressão! Por isso, o segredo é garantir, que tanto a criança como o animal fazem uma associação boa um ao outro.

No caso do animal, esta associação vai depender de cada caso. Nos cães podemos associar os biscoitos, o momento da refeição com a sua ração favorita e/ou a brincadeira. Associar algo bom à presença da criança vai ajudar a que a “amizade” cresça.

Garanta boa disposição nestes encontros!

E não se esqueça, toda esta interacção deve ser supervisionada por um adulto responsável. É obrigatório estar atento aos sinais de calma do animal (e da criança) para interromper antes que algo possa correr mal.

Baby steps

Não é esperado que após o primeiro encontro já sejam os melhores amigos do mundo. É preferível que se façam vários “encontros” de curta duração (5-10 minutos) 2 a 3 vezes por dia do que 1 encontro de meia hora.

E, já sabe, crianças e animais nunca devem ser deixados sozinhos sem supervisão!

E se algo corre mal?

O segredo é a prevenção. Isso passa por conhecermos o animal e a criança ao ponto de antecipar as suas reacções.

Mas imprevistos acontecem. Se houver um comportamento reactivo por parte do animal ou da criança, deve interromper-se logo o encontro. Pode ser retomado noutra altura em que se consiga garantir maior segurança.

Em casos de cães medrosos, gatos ariscos ou animal/criança com má experiência anterior, tenha ainda mais atenção. Deve consultar profissionais dedicados ao comportamento (humano ou animal), para juntos trabalharem na “eliminação” da emoção negativa que está presente. Assim poderão todos apreciar a companhia uns dos outros.

Joana Almeida

Médica Veterinária dedicada ao Comportamento e Bem-estar Animal