Um pouco de história

Sabendo que o cão descende do lobo, cujas orelhas são eretas, como é que alguns cães que conhecemos hoje em dia têm as orelhas caídas? Quem se debruçou pela primeira vez sobre este tema foi Charles Darwin. Este biólogo verificou que, efetivamente, todas as espécies de animais selvagens tinham as orelhas eretas, com a exceção do elefante. Com base em estudos exaustivos que realizou, Darwin verificou que as espécies domésticas, para além de mais afáveis, apresentavam, geralmente, orelhas mais curtas e caídas, manchas claras no pelo, focinhos mais curtos e dentes mais pequenos – teoria da domesticação.

O cão

O Homem, através da seleção artificial, modificou as orelhas tipicamente eretas herdadas dos lobos, numa variedade de formas e feitios de orelhas que hoje em dia reconhecemos nos nossos patudos.

Logicamente, nem todos os cães apresentam orelhas caídas. Por exemplo, raças nórdicas (Samoiedo, Husky Siberiano e Malamute) e alguns terriers (Cairn, West Highland White) são conhecidos pelas suas magnificas orelhas eretas. Este tipo de orelhas está associado a cães mais ativos uma vez que proporcionam uma audição mais ampla e influenciam na velocidade da corrida.

Por outro lado, orelhas caídas estão associadas a cães, que não necessitam de recorrer tanto ao uso da sua audição, como por exemplo os cães de caça (Setter Irlandês,Beagle) que têm o sentido do olfato muito mais apurado, ou a cães mais pachorrentos (São Bernardo, Basset Hound).

Otites

Regra geral, as orelhas devem ser simétricas. Ou seja, se verificar que o seu patudo apresenta uma orelha mais caída do que outra, pode ser sinal de alarme, nomeadamente, a presença de uma otite. Nestes casos, o pavilhão auricular pode ter um odor desagradável e/ou estar inflamado (cor vermelho). Também é frequente haver comichão nas orelhas, por isso podemos ver o nosso patudo coça-las com as suas patas ou a abanar a cabeça.  Em caso de suspeita de otite, deve sempre entrar em contacto o seu Médico Veterinário!

Sara Alves

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Published by Sara Alves

Experiência Mestrado Integrado em Medicina Veterinária na UTAD, Vila Real. Realizou estágios em Portugal e nos EUA, e conta com 5 anos de experiência em Clínica de Animais de Companhia. Pós graduação em Medicina Interna e em Dermatologia, que são as suas áreas clinicas de especial interesse. A minha relação com cães Como dogperson convicta que sou, é para mim um privilégio contactar com cães de toda a forma e feitio, no meu dia-à-dia. São animais fiéis e lutadores, que me mostram que vale a pena olhar para a vida de uma forma positiva. A minha mais recente paixão chama-se Benjamim, é um cão sénior que me acompanha para todo o lado, o verdadeiro cãopanheiro.

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