A Braquicefalia é um termo frequentemente associado com uma cotação negativa, mas na realidade, o termo literalmente quer dizer “crânio curto” e é utilizado para descrever um tipo de morfologia do crânio dos nossos patudos. São, comumente, designados de cães com “focinhos achatados”. Assim, há várias raças de cães que se enquadram nesta categoria por possuírem crânios com esses atributos: Bulldogs, Pugs, Boston Terriers, Pequinês, Boxers, Shi Tzu, entre outros.

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Tenho um cão de raça braquicefálica. E agora?

O facto do seu patudo ser braquicefálico não significa, necessariamente, que vai ter problemas de saúde associados a essa condição. Porém, existem algumas patologias que surgem com maior prevalência nestas raças. A mais conhecida é uma síndrome que pode causar dificuldade respiratória.

A Síndrome Braquicefálica é uma condição patológica que ocorre nestes animais e que se caracteriza pela combinação de estenose das narinas (que significa que tem o orifício das narinas mais apertado do que o normal), prolongamento do palato mole e eversão dos sacos laríngeos. De uma forma resumida, o crânio destes animais é achatado e curto em relação a outras raças, mas os órgãos da boca e laringe não são proporcionalmente mais pequenos, e por isso a passagem de ar através das vias respiratórias, nestes animais, torna-se mais difícil.

Os principais sinais clínicos, aos quais devemos estar atentos em casa, são: respiração ruidosa, ressonar, cianose (ou mucosas arroxeadas), intolerância ao exercício e mesmo colapso (ou desmaio).

No caso de isso acontecer, e depois de corretamente avaliado pelo seu Médico-Veterinário, a correção cirúrgica é a principal escolha terapêutica, e aumenta significativamente a qualidade de vida do animal.

Além desta condição respiratória, que é de facto a mais conhecida, raças braquicefálicas tem alguma tendência a ter:

  • Problemas de oclusão dentária
  • Dermatites das pregas (causadas por enrugamento da pele associado à forma peculiar das suas cabeças)
  • Problemas oculares, quer por protusão dos globos oculares, quer por fendas palpebrais pouco profundas
  • Golpe de calor

Por isso mesmo, os nossos amigos de quatro patas devem ser avaliados pelo Médico Veterinário ao longo do crescimento para ir avaliando o surgimento/evolução de alguma destas características que se incluem na síndrome, e outras associadas a esta característica encefálica.

Com acompanhamento veterinário adequado, os nossos meninos de cabeça achatada” podem ter um vida saudável e feliz!

Helena Ferreira 

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Published by Helena Ferreira

Experiência Mestrado Integrado em Medicina Veterinária no ICBAS - Universidade do Porto, concluído em 2017, tendo realizado vários estágios em Portugal e nos EUA onde aprofundou conhecimentos na área de Anestesia, Cuidados intensivos, Cardiologia e Radiologia. Desde de 2017 a trabalhar em clínica de animais de companhia com especial interesse nas áreas de Cirurgia e de Medicina Interna. A minha relação com os cães Os cães fazem parte da minha vida desde que a minha memória me permite lembrar. Cresci com eles e aprendi o significado de altruísmo e resiliência. São o verdadeiro exemplo se felicidade genuína! estão sempre lá para nós! Cá em casa tenho a Cuchi, uma “rafeirinha” com 15 anos mas espírito de cachorro! É um amor, a não ser quando se mete com os gatinhos cá de casa :)

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