Como se manifesta?

Os animais que têm este tipo de ansiedade, podem manifestar diferentes tipos de comportamentos nos momentos em que ficam sozinhos, como por exemplo:

  • Vocalizações excessivas;
  • Micções/defecações em locais inapropriados;
  • Escavar o jardim ou tentar saltar muros;
  • Destruição de vários objetos dentro de casa.
  • Ausência da ingestão de água e comida até ao regresso do dono;
  • Auto-mutilação;
  • Em casos mais extremos pode haver mesmo respostas fisiológicas, como vómitos, diarreia e salivação excessiva.

Como posso prevenir o aparecimento deste problema comportamental?

Um dos primeiros motivos que podem levar a que este comportamento se desenvolva mais tarde é o desmame precoce (antes dos 2 meses de idade) e, consequentemente, a separação precoce da progenitora. Desta forma, sempre que possível, os cachorros devem manter-se com a mãe até aos 2 meses de idade. Outra forma que vai ajudar na prevenção é habituar o cachorro, desde pequeno, a ficar sozinho em casa. Inicialmente por períodos curtos de tempo (5-10 minutos) e ir aumentando progressivamente, devendo este ficar com acesso a brinquedos, comida, água e zona de descanso.

Quando o problema já está instalado posso fazer alguma coisa para o mudar?

O aconselhado será que recorra a uma consulta de comportamento para que exista uma avaliação detalhada. Em casos mais severos pode ser mesmo necessário a utilização de psicofármacos, em conjunto com um programa de modificação comportamental, para que se consiga resolver o problema. Deixo algumas dicas que poderão ajudar a minimizar a ansiedade de separação do seu cão:

  • Quando o cão fica sozinho deve ficar com acesso à sua zona de descanso, comida (esta pode estar dentro de dispensadores de comida, para que o cão se possa entreter enquanto come e para que esteja mais estimulado quando está sozinho), água, vários brinquedos (deve ir trocando os brinquedos, para que o tipo de estimulação vá variando) e pode também deixar a televisão ou o rádio ligado.
  • Deve tentar tornar os rituais de entrada e saída de casa o mais calmos que lhe for possível. Tente ir variando a ordem dos rituais que faz antes de sair de casa (ex: vestir o casaco, pagar na carteira,etc) porque o seu cão vai estar sempre atento a todos os detalhes que sugiram a sua saída de casa e estes vão-lhe causar ansiedade. Se possível, faça alguns desses rituais (ex: vestir o casaco) sem sair de casa efetivamente.
  • A utilização de coleiras ou difusores com feromonas apaziguadoras podem ajudar a manter o cão mais calmo.
  • Nunca deve punir o seu cão quando chega a casa e descobre que houve comportamentos destrutivos ou qualquer comportamento que considera não apropriado, uma vez que esta punição só vai gerar mais stress/ansiedade e não vai corrigir o problema.

Inês Millet Barros

Médica Veterinária de Animais de Companhia

Published by Inês Barros

# Experiência Mestrado Integrado em Medicina Veterinária pelo ICBAS, U.Porto. Estágio curricular no Hospital Clínic Veterinari, em Barcelona e outros estágios realizados em Portugal. Experiência profissional de 3 anos, com destaque para um ano de experiência clínica de animais de companhia no Reino Unido. Especial interesse na área de comportamento animal. # Experiência com cães Sempre foram animais que me fascinaram pela entrega e amor incondicionais, conseguindo arrancar-me um sorriso até nos dias mais cinzentos. Continuo todos os dias a reforçar mais esses sentimentos com todos os cães com quem me cruzo, mas especialmente com o meu Jimmy, companheiro de todas as aventuras.

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