Disfunção Cognitiva: O que é?
A esperança média de vida dos nossos patudos tem vindo a aumentar, aumentando consequentemente, os problemas característicos de animais seniores, tal como a disfunção cognitiva. Se tem um patudo idoso, este artigo é para si!
Sara Alves
VeterináriaSaiba o que o seu cão deveria estar a comer...
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O que é o Síndrome de Disfunção Cognitiva?
É uma patologia degenerativa que afeta o sistema nervoso central e se caracteriza por uma deterioração gradual das capacidades cognitivas do animal, sem que exista uma causa médica que justifique este processo. À medida que os nossos patudos vão envelhecendo, podem exibir alterações comportamentais típicas da idade, incluindo, responderem de forma mais lenta a estímulos habituais da sua rotina. Na realidade, alguns destes comportamentos podem ser indicativo de alterações relacionadas com demência.
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A prevalência desta doença em cães está estimada em cerca de 22% em cães entre 9 a 10 anos e pode atingir os 73% em patudos mais velhos.
Quais os sinais clínicos?
Os sinais clínicos mais frequentes incluem:
- Desorientação: ficar a olhar para um ponto fixo e não reconhecer membros da família ou o local onde está;
- Alteração das interações sociais: podem ficar mais irritáveis, nervosos ou agressivos com pessoas ou outros animais;
- Alteração do ciclo de sono-vigília: muitas vezes dormem durante a manhã e estão mais ativos à noite, muitas vezes com vocalizações noturnas;
- Alteração da aprendizagem e da memória: podem urinar ou defecar em sítios inadequados e exibem dificuldade em aprender comandos novos;
- Alteração dos níveis de atividade: diminuição da curiosidade e exibem comportamentos repetitivos;
- Aumento do nível de ansiedade: principalmente quando se separa do tutor e tornam-se mais reativos e nervosos perante estímulos visuais ou auditivos.
Apesar destes sintomas serem os mais comuns, não são os únicos que podem surgir, e, com a progressão da doença, podem mesmo surgir sinais neurológicos.
Como se diagnostica?
O diagnóstico da disfunção cognitiva é por exclusão, ou seja, é necessário descartar problemas médicos que podem ser a causa direta das alterações comportamentais, para se chegar a este diagnóstico. É essencial o diálogo com o tutor para averiguar possíveis comportamentos que tenham passado despercebidos, a realização de um exame físico e exame neurológico minuciosos, juntamente com um painel de análises sanguíneas e, eventualmente, exames imagiológicos (radiografia, ecografia ou TAC).
Uma vez descartadas as principais causas médicas, considera-se que as alterações comportamentais são consequências do Síndrome de Disfunção Cognitiva.
Sara Alves
Médica Veterinária de Animais de Companhia