Em que consiste a epilepsia canina?

A epilepsia é uma condição crónica caracterizada por uma atividade elétrica excessiva e anormal do cérebro, que desencadeia mudanças repentinas e breves no comportamento e/ou movimento do cão – convulsões.

Quais os sintomas da epilepsia canina?

Os ataques epilépticos variam à medida que o cão atravessa diferentes fases:

  • Pré-ictus: período que precede a convulsão e pode ser tão rápido ao ponto de o tutor não se aperceber. Também pode durar alguns dias. Nesta fase, o animal mantém-se agitado, inquieto, podendo mesmo demonstrar comportamentos de medo.
  • Aura: sensação que experimentam imediatamente antes da convulsão. Os cães podem vomitar, urinar e salivar excessivamente. Ocorrem, por vezes, comportamentos atípicos como caminhar, lamber ou ladrar obsessivamente.
  • Ictus: momento em que se dá a convulsão. Geralmente as convulsões duram menos de 2 minutos. Podem apresentar-se de variadas formas. O cão pode perder a consciência, ficar rígido, iniciar movimentos rítmicos e rápidos (como pedalar) ou perder o seu tónus muscular e colapsar.
  • Pós-ictus: fase após a convulsão, na qual os animais demonstram agressividade, agitação, perda de visão, micção inapropriada, sede e fome. Esta etapa pode durar horas.

São estas 4 fases que nos permitem distinguir uma convulsão e ataque epiléptico, de outros eventos episódicos como síncopes ou fraqueza muscular!

Que tipo de convulsões existem?

  • Convulsões focais: afetam metade do cérebro. Os cães podem apresentar contrações faciais ou de pequenos grupos musculares.
  • Convulsões generalizadas: afetam ambos os hemisférios cerebrais. Os cães perdem a consciência, podendo salivar, urinar e defecar. Durante estes ataques, o seu corpo pode ficar rígido ou flácido, e iniciar movimentos bruscos.
  • Convulsões mistas: têm inicio com uma crise focal que evolui para convulsão generalizada. É o tipo mais comum de ataque epiléptico em cães.

Quais os tipos de epilepsia e suas causas?

A doença pode ser genética ou adquirida (secundária a alterações estruturais cerebrais ou tóxicos). Dessa forma, distinguem-se 3 subtipos de epilepsia:

  • Epilepsia idiopática/primária manifesta-se entre o primeiro e sexto ano de vida dos cães, sendo o seu diagnóstico feito por exclusão de doença reativa ou estrutural. É diagnosticada recorrendo a exames como Rx, ecografia, análises sanguíneas , TAC ou Ressonância Magnética, entre outros. Geralmente está associada a, pelo menos, dois episódios convulsivos com mais de 24h de intervalo entre eles, e pela ausência de alterações neurológicas no período entre convulsões. Não se conhece a sua causa, mas pensa-se que poderá ter componente hereditário. As raças mais predispostas são o Beagle, o Boxer, o Golden e Labrador Retriever, e o Pastor Alemão.
  • Epilepsia estrutural, cujas convulsões são resultado de doenças intra-cranianas ou cerebrais, como alterações vasculares, inflamatórias, infeciosas, tumorais ou degenerativas.
  • Epilepsia reativa é secundária a tóxicos (ex: pesticidas) ou alterações metabólicas (ex: insuficiência hepática). Neste caso, conseguimos reverter as convulsões, controlando a causa primária.

Os cães com epilepsia podem ter uma vida normal, mas é importante serem avaliados pelo Médico Veterinário, de forma a iniciarem o tratamento correto. Este é considerado bem sucedido caso a medicação reduza a frequência de ataques, pelo menos, para metade. Em situações pontuais e mais graves poderá ser necessário hospitalizar o paciente com vista a monitorizar e a controlar devidamente as convulsões.

Ana Matias

Médica Veterinária

Published by Ana Matias

Experiência Terminou o Mestrado Integrado em Medicina Veterinária pela Universidade do Porto (ICBAS) em 2014. Desde então tem-se dedicado à Clinica de Animais de Companhia, com especial interesse nas áreas de Imagiologia, Reprodução Animal e Oncologia Clínica. Pós-graduada e certificada a nível europeu em Diagnóstico por Imagem pela ESPVS. A minha relação com os cães Desde sempre que não sei existir sem a presença destes animais. Ensinaram-me a admirá-los, respeitá-los e amá-los ao ponto de me darem força para me tornar na pessoa que sou hoje profissionalmente e a nível emocional. A Dora é a menina que me acompanha faz 8 anos, uma verdadeira rafeira de raça, como costumo dizer :) Enche-me os dias e o coração.

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